Economia

Parentes de Joesley e Wesley Batista se beneficiaram de operações, diz juiz

Ao determinar o bloqueio de bens da familia Batista, o juiz Ricardo Leite, da 10a Vara Federal em Brasilia, apontou que parentes de Joesley e Wesley Batista se beneficiaram de operacoes feitas pelos irmaos, hoje presos. A Justica ja havia bloqueado R$ 60 milhoes da familia, mas a Policia Federal e o Ministerio Publico Federal entenderam que era o caso de ampliar a restricao.

Para o juiz, e preciso incluir no bloqueio novas empresas ligadas ao grupo J&F; e familiares, como Jose Batista Junior, irmao de Joesley e Wesley. O empresario e conhecido como Junior Friboi. No despacho, o magistrado cita ainda que o pai dos irmaos Batista dizia que os filhos agiam em conjunto.

Foram bloqueados bens e valores de 21 pessoas fisicas e juridicas.

No despacho, o juiz Ricardo Leite menciona os nomes de Jose Batista Sobrinho - pai de Joesley e Wesley-, Vivianne Mendonca, Vanessa Mendonca e Flora Batista. Todos alvos do bloqueio, alem de Junior Friboi. O juiz aponta, no entanto, que nao ha prova da participacao da familia nas atividades ilicitas, mas sim a indicacao de que se beneficiaram das operacoes.

O pedido de ampliacao do bloqueio de bens leva em conta um suposto prejuizo de R$ 1,2 bilhao causado por operacao fraudulenta do grupo em operacoes com o BNDES. O caso e investigado na Operacao Bullish. O juiz tambem menciona que o acordo de delacao de Joesley Batista foi rescindido, o que leva a reanalisar uma suposta tentativa de ocultacao de bens.

No despacho, o juiz da 10a Vara considera que ha uma confusao patrimonial entre os bens de empresas e da familia, para evitar as medidas de bloqueio. O magistrado cita as empresas JJMB; WWMB; VVMB; VNMBE; VLMB, que, segundo Joesley, serviam para distribuicao de lucros e dividendos a familia.

A decisao seguiu pleito da Policia Federal, com o qual o Ministerio Publico Federal concordou. Segundo o juiz, ha indicios fartos das revelacoes apontadas pelos investigadores. O magistrado tambem apontou que a Operacao Tendao de Aquiles mostrou indicios de que os delatores continuaram a cometer crimes mesmo apos firmar acordo de delacao. A operacao investiga uso de informacoes privilegiadas pelos dois no mercado financeiro.

Defesa

Em nota, o grupo J&F; afirmou que, atraves de seus advogados, esta entrando com os recursos cabiveis no Tribunal Regional Federal para reverter a decisao do juiz Ricardo Leite, da 10a Vara Federal de Brasilia. A nota diz que o juiz se baseou em "premissas falsas".

"A decisao e juridicamente fragil porque, em vez de consultar as leis e a documentacao disponivel sobre os acordos de colaboracao premiada e de leniencia, o magistrado se baseou em noticias divulgadas pela 'midia nacional'.

"Ele se refere equivocadamente a rescisao do acordo de colaboracao premiada de Wesley Batista, sem atentar para o fato de que isso nunca foi nem solicitado pela Procuradoria-Geral da Republica.

"Quanto ao acordo de Joesley Batista, referido como se tivesse sido rescindido, tambem continua em pleno vigor, pois o pedido de rescisao nao foi homologado pelo Supremo Tribunal Federal.

"A decisao do juiz causa perplexidade ao atingir nao apenas os empresarios e seus familiares, mas milhares de funcionarios do grupo.

"Por fim, a decisao de exigir o contingenciamento de R$ 1,6 bilhao para pagamento ao BNDES e injustificavel, uma vez que a multa prevista no acordo da J&F; ja preve que R$ 1,7 bilhao sera canalizado para o banco estatal", informou a assessoria do Grupo por meio de nota.