Evento em SC

Pautada há 17 anos, criação de santuário para proteção de baleias é rejeitada novamente

Proposta não teve o mínimo de votos necessários para ser aprovada durante o evento da comissão internacional que ocorre em Florianópolis

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A proposta de criação de um santuário para proteger baleias no Atlântico Sul teve maioria dos votos favoráveis, mas não alcançou o mínimo necessário para ser aprovada no evento da Comissão Internacional de Baleias (CIB), que ocorre até sexta-feira em Florianópolis. O projeto tem sido pautado desde 2001 e rejeitado em todas as comissões seguintes.

Desta vez, foram 39 votos a favor, 25 contra, três abstenções e duas ausências. O índice de aprovação foi de 60,9% considerando apenas os votos válidos (sem as abstenções e ausências), mas são necessários 75% dos votos dos países.

O santuário de baleias tem como objetivo proteger espécies ameaçadas de extinção que vivem na bacia oceânica do Atlântico Sul, no caso de uma futura aprovação da pesca comercial, que deve ter nova votação também em Florianópolis, na quinta. Além de proteger os animais, a iniciativa inclui a criação de uma zona de cooperação e pesquisa entre os países da África e da América do Sul e defende o uso não letal dos recursos baleeiros. A área do santuário englobaria todo o oceano Atlântico abaixo da linha do Equador, entre as costas da África e da América do Sul, com 20 milhões de m² abrigando 51 espécies de cetáceos.

O projeto do santuário foi apresentado pelo Brasil e depois ocorreram manifestações de outros países. O Japão foi o principal voto contrário, defendendo que faltam pesquisas científicas que comprovem a eficácia da criação do santuário. Já Nova Zelândia, Argentina, Uruguai, África do Sul e Gabão são alguns dos principais defensores do projeto ao lado do Brasil.

— O santuário vai permitir que se avancem projetos de cooperação técnica entre os países, que a ciência que cada país desenvolve possa ser feita de forma conjunta. Avança até o turismo baleeiro, que pode oferecer recursos imensos — comenta Hermano Telles Ribeiro, comissário brasileiro na CIB.

Apesar da vitória numérica com derrota na prática, representantes brasileiros já afirmaram que continuarão lutando pela criação do espaço.

— Temos aliados que correspondem a mais de 60% (dos votos) dentro da comissão e vamos trabalhar agora para convencer aqueles que têm resistido para indicar como é importante criarmos o santuário, não só pelo que representa concretamente, mas também pelo gesto que estaremos fazendo para o mundo na defesa desses animais — declara o ministro do Meio Ambiente, Edson Duarte.

O evento

Florianópolis sedia até sexta-feira um evento da Comissão Internacional da Baleia (International Whaling Commission) que reúne líderes internacionais e pode permitir novamente a caça de baleias, proibida no Brasil após recomendação mundial em 1986.

A proposta do Japão é legalizar a captura da espécie em larga escala, com objetivo de comercializar carne, óleo e gordura do animal. A análise dessa questão, que também precisa de 75% dos votos válidos para ser aprovada, deve ocorrer na quinta-feira.

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